
As caixas de velocidades de embraiagem dupla seca são utilizadas há vários anos em veículos do grupo Stellantis. Cada vez mais, estas estão a ser reparadas em oficinas independentes. Esta solução moderna levanta muitas dúvidas, especialmente aquando da primeira intervenção. Neste artigo, abordamos o tema do volante de inércia utilizado nesta solução.
Na imagem n.º 1 pode ver-se o mecanismo responsável por eliminar a folga nos entalhes entre o volante e o mecanismo da embraiagem dupla (2CT). Quando se substitui o volante bimassa (DMS) por um novo, o mecanismo já está preparado para a montagem.

Imagem 1. Volante bimassa com mecanismo de compensação para transmissões de embraiagem dupla

Imagem 2. Ligação entre o volante e a transmissão de embraiagem dupla
OFICINA
Foi feita uma intervenção num Jeep Renegade na oficina. O motivo era simples: fugas nas juntas da caixa de velocidades. Não foi necessária a substituição do volante bimassa. No entanto, é importante lembrar que cada vez que a caixa de velocidades é separada do bloco do motor, o amortecedor de vibrações descomprime. Podem então verificar-se molas soltas, linguetas fora das suas ranhuras, bem como um anel de mola que se pode deslocar devido à força. Se se pretender reutilizar o volante bimassa nesta solução, é necessário voltar a ajustar o mecanismo de compensação à sua posição de fábrica. Para isso, é necessário utilizar uma ferramenta especial com o número 400 0471 10. A montagem da caixa de velocidades sem este ajuste prévio do volante pode provocar a quebra do anel e custos adicionais.

Imagem 3. Conjunto de ferramentas para embraiagens duplas secas dos fabricantes Alfa Romeo, Fiat, Jeep e Suzuki (LuK 400 0471 10)
REPARAÇÃO
O primeiro passo é fixar a base da ferramenta no ponto adequado do anel de tensão. Existem quatro variantes de volantes bimassa, consoante o tipo de motor, por isso é necessária especial atenção. A ferramenta agarra o anel de tensão, desapertando os parafusos adequados. Em seguida, o mecanismo é tensionado com um pino até à posição em que as linguetas possam ser travadas nas ranhuras (imagem 4). As linguetas não devem ser pressionadas demasiado, pois podem partir-se, o que inviabilizaria a continuação da reparação. Só um volante assim preparado está apto para a montagem da caixa de velocidades.



Imagem 4. Montagem da base e da ferramenta sobre o volante bimassa e travamento das linguetas nas ranhuras
Imagem 5. Volante bimassa na posição preparada para a montagem da caixa de velocidades
RESUMO
É fundamental avaliar cuidadosamente os componentes, pois noutros veículos de marcas diferentes existem anéis “automáticos” nos quais não é necessário repor a tensão. No caso de reutilização de volantes bimassa em veículos do grupo Stellantis, o procedimento descrito acima deve ser obrigatoriamente seguido.

































